Ao todo, 12 municípios da região do Araguaia assumiram compromissos contra escravidão. Comissão Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo pretende espalhar iniciativa
Por Daniel Santini | Categoria(s): Notícias
Pedro Luís Casaldáliga foi homenageado por seu trabalho em defesa dos direitos humanos. Fotos: Gustavo Ohara
O seminário “1970-2012: a Luta pela Erradicação do Trabalho Escravo no Brasil”, foi encerrado no fim da tarde deste sábado, 2 de fevereiro, com a apresentação da Carta-Compromisso contra o Trabalho Escravo, assinada por representantes de 12 municípios da região do Araguaia, no noroeste do estado, todos reunidos pela Comissão Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo do Mato Grosso (Coetrae-MT). O compromisso foi inicialmente assumido por Alto da Boa Vista, Bom Jesus, Confresa, Querência, Santa Teresinha, São José do Xingu, Porto Alegre do Norte, Ribeirão Cascalheira, São Félix do Araguaia, Terra Nova Dourada e Vila Rica. A ideia é fazer com que cidades de outras regiões do estado também participem e assinem a carta este ano.
Entre os compromissos assumidos estão o de apoiar e construir políticas públicas municipais para o combate ao trabalho escravo, fortalecer ações destinadas ao acesso à terra e programas de qualificação profissional, e inserir o tema na grade curricular das escolas municipais. Além disso, as prefeituras se comprometem a deixar de adquirir produtos e fazer negociações com pessoas e empresas flagradas explorando trabalho escravo e a colocar o Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) como órgão prioritário para trabalhadores resgatados e pessoas em situação vulnerável.
Homenagens e comprometimento
Durante o seminário, o bispo Pedro Luís Casaldáliga foi homenageado por seu trabalho na luta contra a escravidão e em defesa dos direitos humanos. No evento, também foram celebrados os 20 anos da existência do Ministério Público do Trabalho. O procurador-chefe Thiago Gurjão Alves Ribeiro entregou uma placa em reconhecimento ao religioso.
Durante o seminário, o bispo Pedro Luís Casaldáliga foi homenageado por seu trabalho na luta contra a escravidão e em defesa dos direitos humanos. No evento, também foram celebrados os 20 anos da existência do Ministério Público do Trabalho. O procurador-chefe Thiago Gurjão Alves Ribeiro entregou uma placa em reconhecimento ao religioso.
Foram realizadas mesas de debate sobre trabalho escravo e sobre como a educação pode ser uma ferramenta importante no combate a esta violência e ao trabalho infantil. Moradores locais e de cidades da região participaram. Os palestrantes defenderam que o evento sirva como um ponto de partida para novas ações e para o fortalecimento do combate à escravidão contemporânea, com mais participação da sociedade civil. “A luta não se esgota com os entes que trabalham o tema. Se não existir na sociedade civil a demanda, não chegaremos ao fim desejado que é a erradicação, o término por completo desta prática. O campo jurídico e judicial é apenas um deles. A luta é sobretudo política. A superexploração do trabalhador, que é irmã siamesa do trabalho escravo, se encontra presente em todo rastro de desenvolvimento que o país vai passando”, afirmou o procurador Rafael Garcia.
Leia também:
Pedro Casaldáliga lembra escravizados ao receber homenagem
Seminário debate educação no combate ao trabalho escravo e infantil
Seminário debate educação no combate ao trabalho escravo e infantil
Veja abaixo mais fotos do seminário:
- Moradores de diferentes cidades da região participaram
- Público participou de debates fazendo perguntas e dando opiniões
- Elizabete Flores, coordenadora da campanha De Olho Aberto para Não Virar Escravo, da CPT, no Brasil
- Participantes apresentam objetos que simbolizam os quatro elementos
- Carolina Motoki, do Escravo, Nem Pensar!, projeto de educação da Repórter Brasil
- Pedro Luís Casaldáliga foi homenageado por seu trabalho em defesa dos direitos humanos
- Luís Cláudio Silva, agente da CPT
- Maria José Sousa Moraes, advogada especializada em direitos humanos
- Marco Aurélio Estraiotto, procurador do MPT, e Inácio Werner, coordenador do Fórum Estadual de Direitos Humanos e da Terra
- Professora Maria Aparecida Martins, de Confresa
- Público acompanha o evento
Por Repórter Brasil
Nenhum comentário:
Postar um comentário