José Dilson da Silva tem 45 anos. Faz 22 anos que ele dedica a vida a ajudas humanitárias. O missionário está na África há 22 anos. Fez de tudo por lá. Nos últimos fixou-se em Mbour, interior do Senegal. Criou uma escola que alfabetiza, alimenta e procura dar um mínimo de condição à crianças miseráveis, que circulam pelas ruas, sem qualquer assistência de ninguém. Há algum tempo apiedou-se de alguns garotos, que tinham seu respaldo durante o dia, mas a noite ficavam ao relento. Atendendo pedido deles resolveu criar um Centro de Desabrigados. Mesmo com pouco dinheiro montou uma pequena estrutura e contratou um advogado para regularizar o futuro Instituto. O tempo passou. O excesso de trabalho, o sofrimento do dia a dia, impediram-no de notar que a documentação nunca ficava pronta. Qualquer dia teria que cuidar disso. Mas, que dia ? Nada é fácil naquela rotina de penúria onde qualquer ajuda, vinda de qualquer lugar, é recebida como um bálsamo de gente abandonada pela sorte. Em novembro do ano passado apareceu no Projeto Obadias, nome dado ao local, o pai de um dos muitos meninos, cuidados por José Dilson. Queria o filho de volta. O garoto, agora com 17 e que não via o pai há pelo menos 2, não quis nem pensar em retornar à casa. Encontrara no recanto do missionário brasileiro condições para uma vida digna, que a família jamais se preocupara, ou não pudera lhe dar. Percebendo que a decisão não seria mudado, o pai foi à polícia denunciar o Projeto Obadias por “tráfico internacional de crianças”. Os policiais chegaram encontraram José Dilson e sua assistente Zeneide Moreira Novaes de 53 anos, bem atarefados. Parar para mostrar documentos seria um tormento, porém não havia alternativa Ligou para o advogado e nada. Depois de algumas horas percebeu que, apesar de pagar para a regularização do local, fora enganado. Na sequência viu-se detido, junto com a assistente. As condições da cadeia em MBour são péssimas. Os testemunhos dos garotos beneficiados, menores de idade, são desconsiderados. E os missionários brasileiros estão lá pagando por culpas, que não tem. Foram à África para ajudar crianças. O governo brasileiro faz gestões tímidas para liberá-los. Nenhum vereador, deputado, senador ou ministro, tomou qualquer iniciativa para resolver essa injustiça. A própria Igreja Presbiteriana Betânia, a qual pertencem, encontra sérias obstruções e poucos apoios. É que eles deram azar. Em fevereiro, um grupo de brasileiros foi a Oruro ver um jogo de futebol. Um deles atirou um sinalizador e assassinou um criança boliviana. Aqueles que estavam por perto, tinham pólvora nos dedos ou se declararam responsáveis pelos outros, estão detidos, até que o crime seja apurado. Apareceu um “de menor” assumindo a culpa. Também nesse caso a história dele não ajudou em nada. No Brasil políticos de todos os setores se movimentam para liberá-los. Não sobrou ninguém para se preocupar com os missionários no Senegal. São os nossos políticos. Os que mataram uma criança tem toda espécie de apoio deles. Os que ajudavam as crianças estão sozinhos. Compreensível. É questão de manchetes e votos. Ou, em outras palavras, politicagem barata.
por: flavioprado
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