Por Fernando Scarpa, psicanalista
Transgressões nas mais diversas áreas do poder denunciam comportamentos tipicamente sociopatas. Desprezo às normas sociais, falta de respeito aos sentimentos alheios, cinismo, egocentrismo, baixa tolerância a frustrações, dificuldade de aprender com as punições e a mania de levar vantagem, deliberadamente, sobre o próximo são aspectos significativos dessa patologia.
E você me pergunta: doença mental pega? Pega, e como pega! Vivemos em um cenário sociopolítico com mil transgressões por segundo. Se o Estado, papai e mamãe transgridem, por que não eu? Com certeza, pensam assim crianças e adultos sem limite. De mansinho, o cidadão vai mijando nas ruas, furando filas — e até em amigos íntimos aplica golpes — numa moral e ética elásticas, sem delimitação das fronteiras entre o mínimo aceito, o correto e o ilícito.
Mas como se nortear diante do modelo de um Estado transgressor? Complicado! O ideal é não se deixar corromper nunca! Claro! Romântico? Com certeza! Os governantes e o Judiciário, com sua antiga demora em julgar processos, incentiva ações como a “lei do vale a pena”, sem punição. E o cidadão vai apostando na demora da Justiça e na impunidade.
Nessa geleia geral, transcorrem os dias dessa nova epidemia subjetiva, com a qual vamos aprendendo a engolir a pizza, que é como tudo acaba. Ela é mental, contagiosa, vem se proliferando ao longo dos anos e, graças à mídia e à tecnologia, é cada dia mais divulgada e, por desgraça, banalizada. Doença mental pega! E como pega!
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