A seguir, apresento vários trechos de reportagem da revista Época na qual traça um perfil dos donos dessa casa de shows que ceifou as vidas de quais duas centenas e meia de pessoas. Para ler a reportagem completa com muito mais informações, acesse o link na revista.
Oficialmente, Kiko é proprietário não da boate, mas de um negócio com muito menos glamour. Ele tem uma revendedora de pneus, localizada nas cercanias de Santa Maria, a Vales Verdes. Atualmente, essa revendedora deve em impostos cerca de R$ 3 milhões ao governo federal e seus bens foram penhorados.
A Kiss, cuja razão social é Santo Entretenimentos, está em nome de uma irmã de Kiko, Ângela Aurélia, e da mãe dele, Marlene Terezinha. O sócio real do empreendimento é um tarimbado empresário da noite de Santa Maria. Mauro Londero Hoffmann, de 47 anos, conhecido como Maurinho, é dono de bares, restaurantes e casas de shows. A principal delas, a luxuosa boate Absinto Hall, reúne num espaço de 800 metros quadrados, bem maior que a Kiss, cerca de 200 mil pessoas a cada ano, segundo informa o site da empresa na internet.
Nascido e criado em Santa Rosa, cidade a 270 quilômetros de Santa Maria, Kiko pertence a uma família com boas condições financeiras, que administra a GP Pneus, empresa com filiais em outras regiões do país. Conhecidos diziam que ele abriu a boate motivado por uma veleidade artística – queria investir em seu lado cantor e enxergou na Kiss uma possível alavanca para o estrelato. Por isso, se interessava em atrair para a boate os jovens estudantes, a maioria das vítimas do incêndio. Divulgava cartazes estimulando turmas de universitários a organizar festas no local. A boate contratava a banda de música, imprimia o ingresso e divulgava o evento. O lucro vinha da venda de ingressos. Os estudantes organizadores ainda ganhavam uma comissão em dinheiro, fazendo caixa para a formatura, se vendessem com antecedência um grande número de bilhetes de entrada. O preço costumava ficar entre R$ 15 e R$ 25. A casa promovia entre três e quatro festas por semana.
No fim da tarde de segunda-feira (28), Kiko assistia ao noticiário na Globo News na TV do quarto 301 do Hospital Santa Lúcia, em Cruz Alta, a 130 quilômetros de Santa Maria, Rio Grande do Sul. Chorando muito, ele dizia: “Como é que eu vou carregar isso? Como? Não sei o que vou fazer da vida”. Quem narra a cena é a inspetora da Polícia Civil da cidade, Maristela Gomes Figueiredo. Ela foi a primeira policial designada a observar Kiko depois de decretada sua prisão. Kiko estava muito abatido, mas sem ferimentos aparentes. Vestia uma bermuda e uma camiseta. Mal conversava com a mulher, Nathália, grávida de 18 semanas, internada no mesmo quarto que ele. Sob o efeito de sedativos, dormia e acordava sucessivamente.
Garantir o ressarcimento não será uma tarefa fácil. A distribuidora de pneus da qual Kiko aparece como dono foi incluída no cadastro dos contribuintes que devem ao governo federal. Para garantia de pagamento da dívida de quase R$ 3 milhões, a Justiça penhorou os bens da empresa, que somaram R$ 1,1 milhão, valor insuficiente para cobrir o rombo. No dia 19 de dezembro passado, o Tribunal Regional Federal manteve a Verdes Vales na lista suja dos devedores.
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