A política de inclusão de negros nas universidades brasileiras melhorou a qualidade do ensino e reduziu os índices de evasão, ao contrário do que muita gente ditas entendidas diziam. Mais do que isso, está transformando a vida de milhares de brasileiros. Isso porque, infelizmente, no Brasil, a cor da pele determina as chances de uma pessoa chegar à universidade. Com a lei isso muda. Para pobres e alunos de escolas públicas, também são poucas os caminhos disponíveis para vencer as barreiras impostas.
Desde que o primeiro aluno negro ingressou em uma universidade pública pelo sistema de cotas, há cerca de dez anos, muita gente disse ou escreveram mentiras a respeito da eficácia dessa política. Os críticos radicais dizem que o modelo deixa mais baixo o nível educacional e degradaria as universidades. Eles afirmaram que os cotistas jamais acompanhariam o ritmo de seus colegas mais iluminados e isso resultaria na desistência dos negros e pobres beneficiados pelos programas de inclusão. Para essas pessoas, o sistema de cotas intalaria o ódio racial nas salas de aula universitárias, enquanto negros e brancos construiriam muros imaginários entre si. A separação triunfaria e a mediocridade dos cotistas acabaria de vez com o mundo acadêmico brasileiro. Entretanto, nada disso aconteceu. Ao contrário.
As cotas raciais deram certo porque seus beneficiados são, sim, competentes. Eles merecem, de fato, frequentar uma universidade pública e de qualidade. No vestibular, os cotistas estão só um pouco atrás. Segundo dados do Sistema de Seleção Unificada, a nota de corte para os candidatos convencionais a vagas de medicina nas federais foi de 787,56 pontos no último vestibular. Para os cotistas, foi de 761,67 pontos. A diferença entre eles, portanto, ficou próxima de 3%, uma diferença muito pequena para resultar em tanto alaridos.
Por ser recente, o sistema de cotas para negros carece de estudos que reúnam dados gerais do conjunto de universidades brasileiras. Entretanto, considerando casos de algumas universidades, observam-se respostas excelentes para o sistemas de cotas universitárias. Por exemplo, a Uerj analisou as notas de seus alunos durante 5 anos. Os negros tiraram, em média, 6,41. Já os não cotistas marcaram 6,37 pontos. Na Unicamp, que também é referência no País, uma pesquisa demonstrou que, em 33 dos 64 cursos analisados, os alunos que ingressaram na universidade por meio de um sistema análogo ao de cotas tiveram resultados melhores do que os não beneficiados. Em engenharia de computação, uma das novas fronteiras do mercado de trabalho, os estudantes negros, pobres e que frequentaram escolas públicas tiraram, no terceiro semestre, média de 6,8, contra 6,1 dos demais. Em física, os beneficiários do sistema de cotas obtiveram, em média, 5,4 pontos, enquanto que os outros tiveram, em média, 4,1 pontos.
Existem muitos outros casos que também comprovam a eficiência e a eficácia do sistema de cotas raciais nas universidades, como demostra estudo da UNB. Não resta dúvida que a partir que o sistema for aprimorado com a entrada de novas universidades no sistema, estudos que abranjam todo o universo de instituições que adotam os sistema de cotas comprovará a transformação que essa política causou nas vida de milhares de pessoas que teriam pouquíssimas chances na ausência desse sistema. Essas pessoas agarram a chance oferecida com toda garra e não desistem facilmente. Por isso, os índices de evasão dos alunos dos programas de inclusão são baixos e, em diversas universidades, até inferiores aos dos não cotistas.
Certamente, com um diploma em mãos obtido em universidade de prestígio, os negros podem ter muito mais chances de conseguir melhores postos de trabalho com melhores remunerações, fazendo com que haja uma transformação social. Não renta nenhuma dúvida de que os filhos dos cotistas terão uma vida mais confortável e de mais oportunidades do que seus pais tiveram se não fosse pelas cotas. É muito possível que se essa política for aplicada de forma correta, daqui uns quarenta anos não haverá necessidade da aplicação de cotas raciais e sociais no ensino porque as oportunidades já estarão muito próximas do nível considerado ideal.
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