A ausência de um neurocirurgião ao trabalho na noite de Natal, no Hospital Municipal Salgado Filho, Estado do Rio, pode ter condenado à morte uma garota de 10 anos de idade que fora internada com uma bala na cabeça. Esse médico ainda teve a coragem de dizer que faltava aos plantões porque discordava do critério do estabelecimento: apenas ele era escalado, quando o Conselho Regional de Medicina (CRM) exigia que fossem dois os plantonistas da noite. Domingo passado, a garota Adrielly dos Santos Vieira, que esperou oito horas para ser atendida, teve morte cerebral. Esse desfecho era bastante previsível, dada a naturalidade como que os órgãos públicos são tão omissos no tratamento do bem estar, das necessidades e até da vida de cada cidadão brasileiro, principalmente se esses é pertencente a uma classe social mais baixa.
Na área médica é uma das que mais desrespeitam as pessoas, em que os cidadãos são mais humilhados e tem os seus objetivos de um bom atendimento frustrados. Mesmo com aparelhos sofisticados e aparatos tecnológicos conseguem gerar resultados correspondentes ao seu porte. Muitos estabelecimentos de saúde possuem equipamentos sofisticados, mas faltam médico e profissionais qualificados para o atendimento adequado da população. De acordo com pesquisa do Ipea, a falta de médicos é o maior problema do Sistema Único de Saúde, seguido pela demora no atendimento. A situação é tão calamitosa que a Câmara dos Deputados quer incluir o médico veterinário no SUS para compor o Núcleo de Apoio à Saúde da Família. Parece ser piada, mas não é. Isso é o retrato fiel de como o nosso povo é tratado pelo governo nas questões relacionadas com a saúde.
Os servidores públicos, embora em algumas situações sejam vítimas também de opressão, podem também ser responsáveis pela escassez do bom atendimento às pessoas, como foi o caso do médio do Rio de Janeiro. Infelizmente, faz parte do “jeitinho brasileiro de ser” a falta ao trabalho. O absenteísmo é revelado pelas mais variadas frentes da administração pública. Quantidade significativa dos faltosos usa o expediente do atestado médico “arranjado”. No setor da educação, essa situação chega a prejudicar mais ou menos 15% do ano letivo das escolas públicas. São estudantes que são afetados negativamente pela falta de professores o que poderá causar prejuízos na formação.
Outra área deprimente para a população é a burocracia. Esta atrasa e prejudica quase todas as outras áreas no cotidiano das pessoas. No Brasil existem cerca de 17 mil cartórios, que processam cerca de 15 milhões de certidões diárias. Esse verdadeiro comércio do carimbo é uma mina de renda e um celeiro de atraso para os brasileiros. Os custos dessa “burocracia” são monumentais e mostra o quanto o setor produtivo e sociedade como um todo são prejudicados. De acordo com alguns estudos, o custo da burocracia no Brasil é estimado em cerca de R$ 100 bilhões por ano. Aqui, está incluída a falta de celeridade nos processos que não raros casos passam meses e até anos para que tenham um desfecho final. Nesse ambiente, muitos “espertos” corrompem servidores públicos para passar na frente de outros. Nisso, pessoas são prejudicadas ainda mais e nasce a corrupção.
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