Por Gabriel Wedy, Juiz federal, ex-presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe)
Tanto o embasamento da “primeira era” das políticas públicas (estatizante) quanto o da “segunda era” (neoliberal) não servem ao atual momento histórico-evolutivo da sociedade globalizada de risco. Ambos os modelos de políticas públicas foram adotados indiscriminadamente, como forma geral e mágica (one size fits all), por países que possuíam IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano) totalmente diversos. Daí o resultado de muitos dos rotundos fracassos dessas políticas.
As políticas públicas atuais de êxito não adotam fórmulas e padrões gerais de desenvolvimento, mas são marcadas, como referido pelo professor da Universidade de Wisconsin David Trubek, em seu The New Law and Economic Development, por ações como a conciliação, entre: (i) Sociedade e Estado e (ii) Estado e mercado. Esta conciliação consiste em diferentes arranjos, dependendo do exato contexto regional e o tipo da política em questão. Este terceiro momento é marcado pela liberdade econômica, controlada pelas agências reguladoras e pelo debate público. Caracteriza-se pela redução do Estado-empresa. Por outro lado, são essenciais ações diretas do Estado investindo diretamente em campanhas efetivas contra a fome (como o Bolsa Família), de universalização da educação, saúde, assistência social e de garantia do amplo acesso à Justiça.
O Estado atual precisa propor e executar políticas públicas que ajam localmente e se afastem do velho ranço da polarização das políticas estatizantes e neoliberais. Não é à toa que Amartya Sen ganhou o Prêmio Nobel de Economia (Development as Freedom) defendendo políticas públicas estatais de combate à fome, de integral proteção à educação e saúde com base no liberal Adam Smith. É preciso compreender que os tempos são outros…
Nenhum comentário:
Postar um comentário