quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Chão sob guindaste cedeu, dizem operários que testemunharam acidente no Itaquerão

EDUARDO OHATA
FABRÍCIO LOBEL
DE SÃO PAULO

Segundo cinco operários ouvidos pela reportagem da Folha, que trabalham nas obras do Itaquerão e pediram para não serem identificados, uma parte do chão cedeu sob o guindaste que içava a última peça da cobertura, provocando o acidente no canto norte do lado leste do estádio, próximo à avenida Radial Leste e à estação Corinthians-Itaquera do metrô.
O guindaste perdeu o controle da peça, que balançou no ar antes de bater em parte da arquibancada do estádio. Com o impacto, parte do guindaste também caiu por cima da peça.

Acidente no Itaquerão

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Gero/Futura Press/Folhapress
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Guindaste usado na obra do Itaquerão (no canto inferior à esquerda) Leia mais
Essa mesma cena foi descrita por duas pessoas diferentes, que disseram à Folha ter presenciado o acidente: o gari Elifaz dos Santos, 43, e o vendedor ambulante Fabiano Freitas, que não quis revelar sua idade.
"Eu vi a peça parada no ar, erguida pelo guindaste. De repente, ela começou a balançar e bateu no estádio. E caiu tudo por cima. Ouvi um estrondo muito alto, como se fosse um prédio caindo", disse Santos.
"Era a última peça que tínhamos que colocar no local e uma coisa que comentamos era a pressa que estava. Como choveu a semana toda, geralmente eles colocam pedra no chão ali, mas desta vez não foi desta forma. Foi um pouco mais corrido. Se você olhar de cima, não tem noção do que está aqui embaixo", disse um outro operário em entrevista à TV Record.
MORTES
Segundo José Valter, operário da obra, um de seus amigos mortos estava em um dos banheiros químicos no momento do acidente.
"Quando percebi um barulho, as vigas já estavam tombando em cima da arquibancada. Era um barulho enorme de destruição. Estou assustado até agora", afirmou no começo da tarde desta quarta-feira.
Folha apurou junto a pessoas que participam do comando da obra que um morto era um motorista que descansava no momento do acidente e outro era um colocador de cadeiras.
Antonio Francisco Camargo, funcionário da obra, afirmou que trabalhava na parte externa do estádio quando percebeu o acidente. "Quando ouvi o barulho fui ver o que aconteceu. Tentou ajudar, mas fui contido pelos outros operários. Entrei em choque", disse Camargo.
De acordo com o operário, o nome do funcionário morto é Fábio Luiz Pereira, que estava nas obras do Itaquerão desde o início. Os dois são funcionários da empresa BHM.
O comando da obra trabalha com três hipóteses para o acidente: 1) a lagarta do guindaste, que é a parte que roda, cedeu; 2) um problema de contrapeso; 3) o guindaste partiu.
O barulho do acidente foi ouvido de dentro da plataforma da estação Corinthians-Itaquera do metrô, que fica a cerca de um quilômetro do estádio.
ALÍVIO
Benedito Donizeti Moreira, 50, é um dos funcionários da obra. Ele entrega suportes de cadeira e encosta o caminhão justamente na área onde caiu a viga. Moreira afirmou estar aliviado por ter se livrado do acidente.
"Se eu estou ali, se eu tivesse chegado um pouco mais cedo, teria morrido. Pensei de tudo. Penso que eu era para estar morto numa hora dessa", disse.


Editoria de Arte/Folhapress

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